A FARSA DOS MILHÕES: O ESCÂNDALO QUE WAGNER RODRIGUES NÃO CONSEGUE ABAFAR
- WELTON FERREIRA

- 22 de jan.
- 3 min de leitura

Chamem de “narrativa”, “exagero” ou “perseguição”. A realidade, porém, é teimosa: os números não mentem e os sistemas federais também não. A bomba revelada sobre Araguaína não é fofoca de bastidor nem bravata política. É contabilidade oficial.
R$ 119 milhões do FUNDEB saíram da conta da educação sob a justificativa esfarrapada de “estorno por erro” e simplesmente… não voltaram. Erro que dura meses, soma milhões e gera vantagem concreta não é erro. É método. É engenharia. E, segundo técnicos ouvidos reservadamente, é “uma operação pensada para aliviar o caixa e maquiar um problema maior”.
No SIOPE, sistema federal que não aceita fantasia, está cravado: Araguaína não cumpriu o mínimo constitucional de 25% em educação. Está escrito “NÃO”, em letras frias e implacáveis. Não foi oposição, não foi blog, não foi militância. Foi dado transmitido e validado pela própria gestão municipal.
Nos corredores da própria Prefeitura, a história é outra bem menos elegante que os discursos oficiais. Um servidor da área financeira, que pediu anonimato por medo de retaliação, foi direto:
“Houve pressão para ajustar os números. Não queriam que a cidade aparecesse como irregular no sistema federal. O resto foi ‘ajeitado’ no papel.”
Outro técnico, ainda mais incisivo:
“Não se trata de falha técnica. Isso foi contabilidade criativa para abrir espaço político e financeiro. Todo mundo sabia.”
E abriu mesmo. A chamada “limpeza” dos números maquiou o índice da Lei de Responsabilidade Fiscal e destravou cerca de R$ 89 milhões em novos empréstimos bancários. Traduzindo sem juridiquês: esconde-se gasto real para parecer responsável e assim poder gastar ainda mais.
Isso não é detalhe contábil. É arquitetura para burlar a lei. E quando a engenharia é usada para driblar regra pública, o nome é conhecido: crime de responsabilidade, em tese.
Mas o rombo não se limita ao FUNDEB.
O cerco se fecha também em outras frentes. O Ministério Público Estadual apura irregularidades relacionadas ao aluguel do prédio onde funciona a Prefeitura, sem licitação uma operação que, nos bastidores, já é tratada como “negócio inexplicável”, até por aliados constrangidos. Um assessor ouvido em reserva foi direto:
“Ninguém nunca conseguiu explicar por que esse contrato foi feito assim. Só disseram que era ‘urgente’. Urgente para quem?”
E as perguntas se acumulam como entulho varrido para debaixo do tapete:
Onde está a verba da reforma do Jacuba?O dinheiro foi empenhado, anunciado, divulgado… mas o que se vê é uma obra que não anda no mesmo ritmo dos recursos.
E mais: onde foi parar o dinheiro do programa Araguaína Monitorada? Prometido como revolução na segurança e vigilância urbana, o projeto virou peça de propaganda, enquanto os recursos evaporaram sem deixar rastros visíveis na cidade.
Nos bastidores da Câmara, o clima é de desconforto crescente. Um vereador confidenciou:
“O que mais assusta não é o valor isolado de cada caso. É o padrão. Sempre falta dinheiro onde mais foi anunciado dinheiro.”
Convém lembrar o óbvio que alguns fingem esquecer: impeachment não exige condenação criminal prévia. Exige fato grave, materialidade e responsabilidade política. E os três aparecem aqui em sequência quase didática: valores elevados, sistemas federais, apurações do Ministério Público, registros oficiais e benefício administrativo direto.
Se isso não configura, ao menos, possibilidade concreta de impeachment, então o instituto virou peça decorativa. Um ornamento para enfeitar a democracia enquanto o dinheiro público escorre pelo ralo.
A pergunta que corrói:
Desde quando R$ 119 milhões podem simplesmente desaparecer quando o “erro” é conveniente? Desde quando prédios públicos são alugados sem licitação como se fossem garagem de fundo de quintal? Desde quando reformas e programas milionários viram fumaça sem explicação?
E mais uma pergunta que ecoa nos bastidores políticos de Araguaína:
será que Wagner vai chamar Dorinha para ficar a seu lado quando for explicar todos esses casos?
A bomba fiscal, administrativa e política está posta. E, gostem ou não, ela envolve diretamente a gestão municipal e a possibilidade real de impeachment.
O resto é retórica tentando transformar dinamite em confete.












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