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A ponte que caiu… e o orçamento que inflou

  • Foto do escritor: FLÁVIO GUIMARÃES
    FLÁVIO GUIMARÃES
  • há 14 horas
  • 1 min de leitura



Enquanto a tragédia do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, ainda ecoava em dezembro de 2024 deixando mortos, desaparecidos e um rastro de dor o que deveria ser um símbolo de reconstrução virou também um monumento à suspeita.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou inconsistências graves na metodologia de estimativa de custos do contrato firmado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para reconstrução da ponte. A obra, bancada com recursos do Novo PAC, custou oficialmente R$ 171,9 milhões.

Oficialmente.

Porque, segundo o relatório concluído em novembro de 2025 um mês antes da entrega da nova estrutura os auditores identificaram falhas no orçamento paramétrico, fragilidade na pesquisa de preços e um terreno fértil para o velho conhecido: aditivos contratuais.

Traduzindo: o preço pode ter sido inflado.

Após ajustes técnicos e revisão baseada em parâmetros de mercado, a CGU estima que o custo real da reconstrução incluindo demolição, projetos e execução poderia ter ficado em torno de R$ 154,1 milhões.

A diferença? R$ 17,8 milhões.

Ou até R$ 20,4 milhões, considerando aditivos posteriores.

Dinheiro suficiente para levantar outras pontes não de concreto, mas de dúvidas.

O episódio expõe mais uma vez como grandes obras públicas seguem operando sob margens elásticas demais, onde tragédias viram justificativa para pressa… e a pressa vira justificativa para orçamentos pouco rigorosos.

No fim, a ponte foi reconstruída.

Mas a confiança na forma como se calcula e se gasta o dinheiro público continua em ruínas.

 
 
 

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