Bastidores do desespero: quando dois políticos sem rumo se encontram em Araguaína
- Welton Ferreira

- há 3 dias
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Nos bastidores cada vez mais escancarados da política de Araguaína, um novo acordo vem sendo cochichado com insistência e ironia. Segundo fontes consideradas certas, o vereador Marcos Duarte deve apoiar o deputado estadual Jorge Frederico na disputa eleitoral. Em troca, receberia o apoio de Jorge para tentar retomar a presidência da Câmara Municipal. Um acordo típico de quem tem pouco a oferecer, mas muito a perder.
A costura surge em um momento simbólico e delicado para ambos. Jorge Frederico, ex-líder do grupo político de Laurez Moreira, hoje não lidera absolutamente nada. Fora do centro das decisões, sem espaço no governo e distante das articulações relevantes da Assembleia Legislativa, o deputado vive um processo visível de esvaziamento político. Suas lideranças evaporam, suas bases migram e sua influência encolhe a cada movimento.
Do outro lado da mesa está Marcos Duarte, que também não atravessa sua melhor fase. Ex-presidente da Câmara, Marcos perdeu o comando do Legislativo para Max Fleury, em uma jogada considerada de mestre, arquitetada com precisão cirúrgica e sem espaço para reação. Desde então, o vereador tenta se reposicionar, mas sem sucesso consistente.
Para agravar o quadro, Marcos ainda carrega no currículo uma passagem - relâmpago pelo governo Laurez Moreira: apenas dois meses como secretário de Administração. Um período curto, sem legado político relevante e que terminou antes mesmo de criar raízes. Desde então, Marcos se vê politicamente sem rumo, sem projeto claro e sem horizonte definido.
O encontro entre Marcos e Jorge, portanto, não nasce de força, mas de necessidade. Para Jorge, o apoio do vereador representa uma tentativa quase desesperada de manter alguma influência em Araguaína, seu principal reduto eleitoral. Para Marcos, a promessa de voltar à presidência da Câmara surge como última âncora para não desaparecer do tabuleiro político local.
Nos bastidores, a leitura é cruel, porém recorrente: trata-se da união de dois políticos que já tiveram protagonismo, mas hoje se agarram a acordos de sobrevivência. O ex-líder que já comandou e o ex-presidente que já mandou agora negociam migalhas de poder, numa tentativa de adiar o óbvio.
Em política, quando alianças deixam de ser estratégicas e passam a ser emergenciais, o sinal é claro: o projeto acabou, e o que resta é apenas a luta para continuar existindo.












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