Bastidores em ebulição: o Tocantins em guerra silenciosa pelo poder
- FLÁVIO GUIMARÃES

- há 7 dias
- 2 min de leitura

Nos corredores do poder, o discurso público é de unidade. Nos bastidores, porém, o Tocantins vive uma guerra política silenciosa, marcada por acordos obscuros, alianças forçadas e interesses que passam longe do discurso moral exibido em palanque.
Fontes internas relatam que o jogo começou muito antes do calendário eleitoral e que hoje quase ninguém joga limpo.
Enquanto autoridades posam para fotos, nos gabinetes o clima é de tensão permanente. O poder virou moeda. A lealdade, artigo raro.
Alianças que não nascem do diálogo, mas do medo
Antigos inimigos agora dividem mesa, sorriso e estratégia. Não houve reconciliação houve cálculo.
Uma fonte com acesso direto às articulações resume sem rodeios:
“Aqui ninguém se gosta. Todo mundo se tolera porque precisa.”
O objetivo é claro: sobreviver politicamente até 2026, ainda que isso signifique apagar discursos antigos, engavetar críticas e fingir que o passado não existe.
Um cenário onde cabe de tudo até o que já caiu
O mais grave, segundo fontes ouvidas, é que nesta disputa existe de tudo.
Há pré-candidatos que já foram governadores e acabaram cassados, outros que renunciaram antes da queda, nomes que já passaram por celas e investigações, além de figuras políticas marcadas por escândalos que jamais foram devidamente explicados à população.
Mesmo assim, circulam novamente pelos mesmos corredores, frequentam os mesmos eventos e são tratados como se nada tivesse acontecido.
Um assessor experiente foi direto:
“O Tocantins virou o Estado onde o passado não pesa desde que o sujeito ainda tenha voto.”
Assim, a política estadual segue refém de um pacto não escrito: ninguém mexe no passado de ninguém.
A sucessão que ninguém assume mas todos disputam
Publicamente, quase todos negam candidatura. Internamente, todos trabalham como se já estivessem em campanha.
Há pelo menos três projetos de poder rodando ao mesmo tempo, muitos deles dentro do mesmo campo político, fingindo alinhamento enquanto disputam espaço, prefeitos e estruturas.
O problema é matemático: não há palanque suficiente para tantos egos.
E quando chegar o momento da escolha, o racha será inevitável.
Assembleia forte, governo pressionado
Dentro da Assembleia Legislativa, cresce a convicção de que o poder mudou de mãos.
Deputados sabem do peso que têm e usam isso como moeda de troca.
Uma fonte resumiu com frieza:
“O governo governa. Mas quem define o ritmo da política hoje é o Parlamento.”
Isso explica os silêncios estratégicos, os recados indiretos e as movimentações que acontecem longe das câmeras.
Tendência: desgaste, ruptura controlada e eleição contaminada
A tendência, segundo fontes, não é de rompimento imediato — mas de desgaste contínuo, lento e calculado.
O que se desenha no horizonte é:
alianças construídas por medo, não por convicção;
pré-candidaturas recicladas;
figuras políticas com histórico grave tentando voltar ao poder;
deputados blindados pelo silêncio coletivo;
prefeitos pressionados a escolher lado antes da hora;
e uma eleição marcada não por projetos para o Tocantins, mas por disputas pessoais de poder.
No Tocantins, a sucessão deixou de ser sobre futuro.
Virou uma disputa para reescrever o passado ou escondê-lo.
E como confidenciou uma fonte do núcleo político:
“Aqui não vence quem tem a melhor proposta. Vence quem consegue sobreviver aos próprios escândalos.”












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