Pesquisas não elegem ninguém: o Tocantins caminha para uma eleição dura, tensa e sem donos
- FLÁVIO GUIMARÃES

- há 1 dia
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O cenário eleitoral no Tocantins é claro para quem se dispõe a enxergar além das manchetes fabricadas: não há favoritos, não há hegemonia e não há terreno seguro para projetos de reeleição. O que existe é uma disputa fragmentada, instável e marcada por um eleitorado que já não aceita ser conduzido por narrativas artificiais.
Mesmo assim, setores da política insistem em um roteiro conhecido e desgastado: usar pesquisas como instrumento de manipulação psicológica do eleitor, apresentando recortes convenientes como se fossem retratos definitivos da realidade. Trata-se menos de análise e mais de tentativa de indução. Menos de diagnóstico e mais de propaganda disfarçada.
Essa estratégia, no entanto, perdeu eficácia. O eleitor tocantinense está mais atento, mais desconfiado e menos disposto a comprar vitórias antecipadas. A pulverização do cenário mostra que ninguém conseguiu ocupar o centro do debate político, apesar do esforço de grupos que tentam impor artificialmente a ideia de liderança.
A insistência nesse jogo revela mais fragilidade do que força. Quem precisa gritar vantagem o tempo todo costuma fazê-lo porque não a possui. A superexploração de pesquisas não consolida candidaturas; ao contrário, amplia rejeições e escancara a ausência de base social sólida.
O enfraquecimento do capital político tradicional também expõe um dado incômodo: o mandato deixou de ser passaporte automático para a reeleição. O eleitor cobra entrega, coerência e presença. Estrutura, sigla e apoio formal já não compensam discursos vazios ou campanhas distantes da realidade.
Nesse ambiente de descrença e volatilidade, a eleição caminha para ser uma das mais duras e imprevisíveis da história do Tocantins. Margens mínimas, disputa voto a voto e erros com custo elevado. A fragmentação é tamanha que o segundo turno deixa de ser hipótese e se torna consequência natural do cenário.
O Tocantins entra em um processo eleitoral sem donos e sem atalhos. Pesquisas não substituem campanha, narrativa não substitui voto e ilusão não resiste à urna. A decisão final será construída no confronto direto com o eleitor e não nos bastidores de quem ainda acredita que pode controlar a percepção pública.












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