Bastidores vazados | O blefe de Vicentinho e o isolamento que ninguém quis assumir
- FLÁVIO GUIMARÃES

- 19 de jan.
- 3 min de leitura

Nos corredores mais fechados da política tocantinense, a avaliação é dura e unânime: a pré-candidatura de Vicentinho ao Governo do Estado não passa de um blefe.
Não é projeto. Não é estratégia. É sobrevivência.
Fontes que acompanham de perto as articulações afirmam que o anúncio foi feito às pressas, sem grupo, sem base e sem garantia alguma. Um movimento típico de quem percebeu que ficou fora da divisão real do poder e resolveu gritar antes de desaparecer.
O detalhe que poucos dizem publicamente mas todos comentam internamente é que Vicentinho se retirou do grupo de Laurez por puro cálculo ideológico.
Com a inclinação cada vez mais explícita de Laurez em caminhar com PT e PDT, Vicentinho recuou imediatamente. Não quis seu nome associado à esquerda. Não quis foto. Não quis palanque. Não quis explicação depois.
A avaliação interna era simples: “isso cola mal na base”.
O problema é que, ao sair, Vicentinho acreditou que seria imediatamente absorvido por outro campo político. Achou que teria para onde correr. Apostou que o mercado eleitoral o receberia de braços abertos.
Errou feio.
Hoje, segundo fontes, ele não é prioridade de ninguém. Não é peça central em grupo algum. Não lidera bloco. Não dita rumo. Está politicamente solto e isso, na prática, é quase uma sentença.
O grupo que o cercava se dissolveu em silêncio. Prefeitos que prometiam fidelidade agora desconversam. Lideranças locais mudaram de rota. O apoio que parecia garantido simplesmente “virou pó”, como definiu um interlocutor.
Sem chão, veio o plano B: se lançar pré-candidato ao governo para forçar conversa.
O movimento foi interpretado internamente como recado direto à chapa de Dorinha: “me chamem antes que seja tarde”.
Mas nem ali o ambiente é favorável.
Dentro do próprio grupo, há resistência clara. Vicentinho não entra como soma entra como problema adicional. Não traz base nova, não amplia alianças e ainda carrega atritos antigos.
Principalmente com Gaguim.
Os dois não se bicam. Não é segredo. Não é fofoca. É histórico. A animosidade é conhecida e mal resolvida. Em reuniões fechadas, o nome de Vicentinho gera silêncio constrangedor e isso diz muito.
O recente movimento de Gaguim em direção ao Republicanos foi interpretado por muitos como um aviso. Um gesto de proteção. Um “marcando território”.
Nos bastidores, a leitura é clara: ninguém se move assim por acaso.
A dúvida que corre entre lideranças é direta e cruel: Gaguim está se reposicionando para sair do caminho… ou para impedir a entrada de Vicentinho?
Enquanto isso, Vicentinho segue rodando sem porto seguro. Saiu da esquerda para não se queimar, mas não encontrou abrigo na direita. Tentou preservar imagem e perdeu grupo. Fugiu do rótulo e acabou sem identidade política.
Hoje, sua pré-candidatura não empolga, não mobiliza e não assusta ninguém. É vista como barulho sem tração uma tentativa tardia de voltar ao jogo quando as cadeiras já estão ocupadas.
Uma fonte resumiu sem rodeio:
“Ele não entrou para disputar o governo. Entrou porque ficou sem opção.”
E outra foi ainda mais direta:
“Na política, quando o sujeito precisa anunciar que é candidato, geralmente é porque ninguém o chamou.”
No fim das contas, Vicentinho tentou se livrar da esquerda…mas acabou abandonado por todos os lados.
Nos bastidores, a avaliação é uma só dura, fria e sem romantismo:
quem sai cedo demais pode até evitar o desgaste, mas quase sempre perde o lugar na mesa.
E hoje, Vicentinho sequer sabe se ainda há cadeira disponível.












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