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Desespero, jogo duplo e um partido em colapso

  • Foto do escritor: WELTON FERREIRA
    WELTON FERREIRA
  • 24 de jan.
  • 2 min de leitura


O apoio da então presidente do União Brasil Mulher, Naídes César, à pré-candidatura de Vicentinho Júnior (Progressistas) não apenas revelou um racha interno na Federação União Progressista escancarou o nível de desorganização que hoje domina a política tocantinense.

A reação do União Brasil foi imediata. Naídes caiu. Entrou Josi Nunes. Oficialmente, reorganização partidária. Nos bastidores, porém, a leitura é outra: uma tentativa tardia de conter um incêndio que já havia tomado grandes proporções.

Mas reduzir a crise ao União Brasil seria um erro.

De um lado, a senadora Professora Dorinha demonstra dificuldades em manter coesão interna. De outro, Vicentinho Júnior não transmite direção, segurança ou clareza de projeto político. Segundo fontes ouvidas pela coluna, o que se vê é um movimento confuso, instável e marcado pelo oportunismo.

Nos bastidores, a avaliação é direta: o deputado atira para todos os lados. Em um momento se apresenta como pré-candidato ao Governo. Em outro, deixa no ar a possibilidade de disputar o Senado. Depois, retorna ao discurso estadual. Nem aliados conseguem identificar qual é, de fato, o plano.

“O projeto não é claro. É sobrevivência”, resumiu uma liderança do interior.

Vicentinho tem buscado apoio de forma silenciosa, entrando pelas laterais, conversando reservadamente com prefeitos e lideranças, sem assumir publicamente um rumo político definido. Para muitos, o movimento lembra exatamente aquilo que ele costuma criticar: a velha política do ‘onde der, eu entro’.

Nos corredores do poder, a frase mais repetida é curta e direta: ele não constrói um projeto tenta caber em algum.

Enquanto isso, Dorinha parece cada vez mais preocupada em se manter próxima do governador Wanderlei Barbosa, acompanhando agendas, atos e eventos como quem tenta não sair do enquadramento da foto.

Fontes internas descrevem o movimento como o de um “papagaio de pirata” político  sempre atrás, sempre visível, sempre buscando sinalizar alinhamento.

A comparação que circula entre lideranças é ainda mais simbólica: lembra a criança que pula na frente dos colegas, acena, chama atenção e se esforça para ser escolhida primeiro.

Nos bastidores, a leitura é de que a senadora estaria cavando um espaço, tentando forçar uma definição antecipada do governador, numa estratégia que, longe de transmitir força, passa a imagem de insegurança e dependência.

Enquanto Dorinha se movimenta nessa tentativa de aproximação constante, aliados relatam desgaste interno. A avaliação é que quem precisa implorar por escolha raramente lidera um processo político.

De um lado, uma liderança partidária que não consegue organizar a própria base.Do outro, um pré-candidato que ainda não decidiu se quer o Palácio Araguaia ou uma cadeira no Senado.

O episódio envolvendo o União Brasil Mulher tornou-se apenas o símbolo mais visível de um cenário maior: partido rachado, lideranças inseguras, projetos indefinidos e articulações feitas no improviso.

Nos bastidores, cresce a percepção de que 2026 começa a ser construída não por convicção, mas por desespero.

E na política, quando ninguém sabe exatamente para onde está indo, o destino costuma ser o mesmo: ficar fora do jogo.

 
 
 

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