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Editorial da Semana | Poder em movimento, silêncio conveniente e o retrato de uma cidade esquecida

  • Foto do escritor: Flávio Guimarães
    Flávio Guimarães
  • 20 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

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A política tocantinense entrou, definitivamente, em modo pré-2026. Não há mais gestos inocentes, agendas neutras ou decisões despretensiosas. A semana foi marcada por três movimentos que, juntos, ajudam a decifrar o momento do poder no Estado: a retomada calculada de obras pelo governador Wanderlei Barbosa, o constrangedor silêncio em torno do “milagre dos milhões” que ronda o deputado Vicentinho Júnior, e o Réveillon de Araguaína um símbolo da distância entre discurso oficial e entrega real à população.

Gestão no asfalto, política no território

Ao retomar obras paralisadas e ocupar o território com uma agenda ostensiva de visitas técnicas, Wanderlei Barbosa faz mais do que governar: ele sinaliza. Cada obra destravada, cada ordem de serviço retomada, cada foto no canteiro é um recado direto ao sistema político. O governador entende que 2026 não será vencido em gabinete, mas no chão quente das cidades.

E, nesse tabuleiro, a presença constante do presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, não é detalhe é método. Wanderlei sela, na prática, o caminho de Amélio para 2026, ao transformá-lo em peça orgânica do governo, parceiro de entregas e elo com o Legislativo. A construção é silenciosa, mas firme. Enquanto muitos ainda fazem contas, o grupo governista já executa.

O manual do “não sei, não vi” e o silêncio que grita

Em contraste com a hiperatividade do Executivo, o caso que envolve Vicentinho Júnior segue envolto em um silêncio ensurdecedor. A investigação da Polícia Federal sobre a empresa ligada à esposa do parlamentar com cifras milionárias que desafiam qualquer lógica operacional escancara o velho manual do “não sei, não vi, não é comigo”.

Não há explicações públicas convincentes. Não há indignação dos aliados. Não há pressa em esclarecer. Há apenas a aposta conhecida de que o tempo, o barulho político e a distração coletiva façam o serviço de sempre: empurrar tudo para debaixo do tapete. Mas a conta, como a história mostra, sempre chega. E quando chega, costuma cobrar juros altos.

O Réveillon que Araguaína não merecia

Se na política estadual o poder se move com estratégia, em Araguaína a sensação é de abandono simbólico. O Réveillon realizado pela gestão municipal não foi apenas um evento aquém do esperado foi um retrato da falta de ambição administrativa. Uma cidade do porte de Araguaína, com peso econômico e político, foi brindada com um réveillon sem identidade, sem impacto e sem memória.

O contraste dói ainda mais quando se recorda que, em outros tempos, com orçamentos muito menores, a cidade viveu réveillons que marcaram época. Hoje, sobra improviso e falta visão. O resultado é uma população que assiste, mais uma vez, a mediocridade ser tratada como normalidade.

O fio que une tudo

Os três fatos da semana revelam a mesma verdade: enquanto alguns se movimentam, constroem e ocupam espaços, outros se escondem no silêncio ou entregam pouco a quem espera muito. A política não perdoa inércia, nem a história absolve omissão.

2026 não começou oficialmente, mas já está em curso. E quem ainda não percebeu isso corre o risco de ser apenas nota de rodapé quando o jogo for, de fato, decidido.

 
 
 

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