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O grande encontro dos que ninguém pediu

  • Foto do escritor: WELTON FERREIRA
    WELTON FERREIRA
  • 21 de jan.
  • 2 min de leitura




Nos corredores mais abafados do poder tocantinense, um movimento curioso vem chamando atenção não pela força, mas pela audácia. Laurez Moreira decidiu reunir ao seu redor Irajá Abreu, Kátia Abreu e Mauro Carlesse numa articulação que promete “renovar” o Estado. Sim, renovar. Logo eles.

É o famoso projeto político “reviver é preciso”, mesmo que o eleitor já tenha pedido o enterro.

Laurez, que teve a chance rara de sentar na cadeira principal do Palácio Araguaia, conseguiu protagonizar um governo invisível. Um mandato tão discreto que, se não fosse o Diário Oficial, muita gente nem teria percebido que ele governou. Obras? Nenhuma lembrada. Marca administrativa? Zero. Liderança? Só nas rodas de aliados.

Ainda assim, saiu da experiência convicto de que o problema não foi a gestão foi o povo que não entendeu.

Em vez de entregar resultado, preferiu investir na esperança de que Wanderlei Barbosa não resistisse politicamente. Apostou na crise, torceu pelo caos e trabalhou para transformar instabilidade em trampolim eleitoral. Resultado: Wanderlei voltou, se fortaleceu, e Laurez ficou com o discurso pronto… e sem plateia.

Mas quando falta apoio, sobra imaginação.

Daí nasce a aliança mais improvável desde que adversários viraram “companheiros de luta”. Laurez e Mauro Carlesse, que até ontem trocavam acusações como quem troca farpas em praça pública, agora dividem mesa, café e plano de poder. A política até permite, mas o roteiro ficou tão forçado que nem convence figurante.

Carlesse reaparece como se fosse reforço quando, na verdade, é lembrança traumática. Entra na articulação trazendo na bagagem investigações, processos e aquele perfume clássico de governo que terminou mal. É o tipo de apoio que chega pesado, senta no sofá e ainda pergunta se pode dormir.

Já o núcleo Abreu vive sua fase mais filosófica: a da negação. Irajá aparece nas pesquisas como quem entra em elevador quebrado não sobe, não desce e ainda trava o sistema. O senador segue acreditando que o problema é momentâneo, que o povo “vai lembrar” e que a virada vem… só não se sabe quando, nem como, nem por quê.

A famosa força eleitoral da família virou artigo de museu: todo mundo respeita, mas ninguém usa.

Sem povo, sem rua e sem entusiasmo, o grupo se dedica ao esporte preferido de quem perdeu conexão com o eleitor: articulação de bastidor. Muito café, muito sussurro, muita reunião fechada e pouca coragem de testar o projeto sob a luz do dia.

A aposta é clara: se não der no voto, tenta-se no tapetão.

Se não der na empolgação, vai na pressão.

Se não der na política, tenta na engenharia.

No fim das contas, o que se desenha não é uma frente de futuro, mas uma confraria de sobreviventes tentando provar que ainda respiram politicamente. Uma reunião de nomes que falam em “novo Tocantins” enquanto carregam exatamente o mesmo cheiro de passado.

Porque, convenhamos: isso não parece um projeto de governo. Parece uma reunião de ex tentando voltar.

E o eleitor, como se sabe, raramente aceita recaída.

 
 
 

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