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O manual do “não sei, não vi”: Vicentinho Júnior, a empresa da esposa e o milagre dos milhões

  • Foto do escritor: Tocantins Atual
    Tocantins Atual
  • 18 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura



Se existe um guia prático de sobrevivência política em tempos de investigação, Vicentinho Júnior (PP-TO) parece segui-lo à risca. A Polícia Federal afirma que o deputado e sua esposa, Gillaynny Marjorie Duarte Borba de Oliveira, protagonizaram uma coreografia financeira que faria escola: R$ 170 milhões girando em apenas seis anos por uma empresa que, segundo a Operação Overclean, existia muito mais nos registros bancários do que no mundo real.

A GMD Borba Distribuidora Eireli, de acordo com a PF, teria funcionado como uma clássica “conta de passagem” daquelas que recebem, repassam e não explicam. Produção? Funcionários? Atividade compatível com esse volume de recursos? Nada disso aparece. O que aparece, em excesso, são transferências.

O codinome que não caiu do céu

No coração da investigação está uma planilha de propinas apreendida com empresários investigados. Nela, surge o codinome “Vic”. Coincidência? Talvez. Coincidência demais? Datas, valores e transferências batem com depósitos feitos justamente na empresa registrada em nome da esposa do parlamentar. Para a PF, o grau de certeza é elevado: o dinheiro saiu de um lado e chegou exatamente onde a planilha sugeria.

Entre 2019 e 2025, a GMD Borba registrou R$ 85 milhões em créditos e outros R$ 85 milhões em débitos. Um entra e sai perfeito quase poético. Só faltou explicar o básico: o que essa empresa efetivamente fez para justificar esse fluxo milionário.

Contrato inflado, versões murchas

O pano de fundo não ajuda. Um contrato de dedetização do governo do Tocantins que começou em R$ 13,6 milhões terminou em R$ 59,2 milhões após aditivos. Segundo a PF, um valor até 660% acima do preço de mercado. No caminho, empresas ligadas aos mesmos empresários envolvidos no contrato repassaram recursos à GMD Borba.

Para os investigadores, cerca de R$ 420 mil teriam chegado ao casal. Para o discurso político, tudo seria apenas um mal-entendido contábil.

Em Sítio Novo do Tocantins, vizinhos relatam que a tal “distribuidora” funcionou por pouco tempo. Vicentinho Júnior sustenta que a empresa pertencia ao sogro, falecido em 2024. Um detalhe insiste em atrapalhar a narrativa: os repasses continuaram mesmo após a morte.

A live que explicou sem explicar

Com a repercussão, o deputado correu às redes sociais. Fez live, falou muito e esclareceu pouco. Não explicou por que o nome da esposa aparece no centro de empresas apontadas como de fachada. Não explicou por que dinheiro de contratos sob suspeita pingou em contas ligadas a ela. Foi a velha coletiva digital: frases longas, respostas curtas quando existem.

STF pausa, o enredo continua

A Polícia Federal pediu busca e apreensão e bloqueio de bens. O Supremo Tribunal Federal, por ora, negou, alegando ausência de prova direta naquele momento. Importante registrar: negativa não é absolvição. É apenas o botão “pause” de um roteiro que segue em produção.

Enquanto isso, permanecem os elementos centrais da trama: uma planilha com codinome, uma empresa sem lastro operacional, contratos inflados e uma defesa pública que não conecta os pontos.

No final, sobra a pergunta que nenhuma live conseguiu responder: se era tudo tão normal, por que parece tanto um manual de ficção financeira mal disfarçada de rotina administrativa?

 
 
 

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