O réveillon que Araguaína definitivamente não merecia
- Welton Ferreira

- 18 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Araguaína se despede do ano como aprendeu a fazer: entre promessas grandiosas e entregas medíocres. O réveillon anunciado pela gestão do prefeito Wagner Rodrigues, do União Brasil, não é apenas fraco é simbólico. Simbólico de uma administração que dispõe de cofres cheios, mas entrega eventos vazios.
Com um orçamento de R$ 500 mil, a festa de fim de ano parece mais um churrasco mal organizado do que uma celebração à altura da segunda maior cidade do Tocantins. Shows irrelevantes, atrações desconhecidas e uma programação que não empolga nem os próprios contratados. Para quem governa um município que se gaba de ser potência regional, o resultado beira o constrangimento público.
E aí vem o escárnio maior: Araguaína nada em dinheiro. O orçamento anual ultrapassa R$ 1 bilhão e, em 2026, deve alcançar R$ 1,5 bilhão. Soma-se a isso um caminhão de emendas parlamentares, deputados aliados, discursos otimistas e vídeos bem editados nas redes sociais. No papel, sobra grandeza. Na prática, falta vergonha.
O contraste fica ainda mais gritante quando a memória recente entra em cena. Na época da ex-prefeita Walderez, com orçamentos infinitamente menores, Araguaína viveu réveillons marcantes, populares e inesquecíveis. Havia planejamento, atrações que dialogavam com a cidade e, principalmente, a sensação de que o dinheiro público estava sendo usado para entregar algo à população e não apenas cumprir tabela no calendário.
Hoje, sob o comando de Wagner Rodrigues e do União Brasil, a cidade segue coalhada de obras inacabadas, tapumes eternos e projetos anunciados com fanfarra que nunca saíram da fase do PowerPoint. O réveillon capenga não é exceção é regra. É apenas mais um capítulo da política do “anuncia, mas não entrega”.
E quando o assunto é mistério, o programa de monitoramento de Araguaína merece um parágrafo à parte. Vendido como solução tecnológica de ponta, recebeu recursos, inclusive com verba destinada pelo senador Irajá Abreu. O dinheiro apareceu. O sistema, não. As câmeras não funcionam, o controle não existe e a população segue se perguntando: onde foi parar essa verba? Quem executou? Quem fiscalizou? Ou foi só mais um projeto que evaporou no ar-condicionado dos gabinetes?
Enquanto isso, o cidadão é convidado a comemorar a virada do ano com um evento pobre, sem identidade e sem respeito, pago com recursos de uma cidade bilionária administrada com mentalidade de feira improvisada.
No fim, Araguaína não sofre de falta de dinheiro. Sofre de falta de prioridade, de gestão e de compromisso político. E o réveillon entra para a história não como celebração, mas como mais um lembrete cruel: quando a administração é pequena, nem um orçamento bilionário consegue fazer uma cidade brilhar.












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