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Obras eternas, palanque imediato: o canteiro político da gestão Wagner Rodrigues

  • Foto do escritor: FLÁVIO GUIMARÃES
    FLÁVIO GUIMARÃES
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura



Em Araguaína, a gestão do prefeito Wagner Rodrigues parece ter desenvolvido um método próprio de administrar obras públicas: começa-se uma, anuncia-se outra e termina… bem, terminar mesmo parece ser apenas um detalhe burocrático.

A lógica é simples e repetida à exaustão: quando a população começa a acreditar que determinada obra finalmente será concluída, surge um novo projeto, uma nova promessa e um novo canteiro de obras perfeito para mais fotos, vídeos e postagens nas redes sociais. O problema é que, no meio desse roteiro político-midiático, ficam espalhados pela cidade vários projetos inacabados ou esquecidos.

Um dos casos mais emblemáticos é a escola da Vila Azul. A estrutura foi pensada para atender cerca de mil alunos e poderia ser um verdadeiro modelo educacional para a região. Poderia se estivesse funcionando. Mas a realidade é bem diferente: o prédio está lá, grande, silencioso e abandonado, como um lembrete permanente daquilo que foi iniciado e simplesmente ficou pelo caminho.

Enquanto isso, estudantes do bairro precisam sair de casa e atravessar uma BR conhecida pelo perigo diário para chegar a outras escolas. A contradição é quase surreal: existe um prédio capaz de atender toda aquela comunidade, mas ele permanece parado, enquanto crianças enfrentam riscos para estudar.

Mas terminar obra, aparentemente, não gera tanto engajamento quanto começar outra.

E assim surge o próximo capítulo da gestão: a creche de tempo integral no antigo prédio do supermercado Baratão. A iniciativa chegou acompanhada de anúncios, registros fotográficos e discursos otimistas. O que não chegou, pelo menos até agora, foram informações claras sobre a aquisição do imóvel. Quanto custou? Como foi feita a negociação? Quem avaliou o valor? Perguntas básicas que seguem sem respostas públicas.

O que não falta, claro, é marketing.

Outro exemplo curioso dessa lógica administrativa é o Centro de Convenções de Araguaína. A estrutura foi construída, passou mais de um ano sendo utilizada para eventos e atividades… mas, oficialmente, nunca havia sido inaugurada. Sim, o espaço funcionava normalmente, recebia público, sediava programações tudo isso sem a formalidade da inauguração.

Agora, finalmente, a prefeitura decidiu realizar a cerimônia oficial. Para dar o peso político necessário ao momento, foi anunciado um show gratuito do cantor Zeca Baleiro.

Gratuito para o público, claro. Mas quanto custou aos cofres públicos?

Essa é a pergunta que, até agora, segue sem resposta.

A redação entrou em contato com o secretário municipal de Cultura, Edson Galo, que informou que os detalhes do contrato seriam divulgados posteriormente. Ele repassou o contato de sua superintendente, que explicou que o valor do show seria publicado no Diário Oficial do município.

Até o fechamento desta matéria, porém, nenhum contrato havia sido publicado e nenhum valor havia sido oficialmente divulgado.

Enquanto isso, os chamados fiscais do povo parecem preocupados com outras pautas. Um vereador conhecido pelo sobrenome que remete a uma rede de supermercados decidiu concentrar esforços em um projeto para instalar leitores faciais digitais nas escolas da rede municipal.

Isso mesmo: reconhecimento facial.

Em uma cidade onde escolas não são concluídas, obras ficam abandonadas e alunos precisam atravessar rodovias perigosas para estudar, a prioridade virou tecnologia de identificação digital nas salas de aula.

É quase como instalar fechadura eletrônica em uma casa que ainda está em construção.

No fim das contas, o cenário que se desenha em Araguaína é um verdadeiro mosaico de canteiros inacabados, inaugurações simbólicas e anúncios estratégicos. Obras começam com grande alarde, rendem manchetes, vídeos e curtidas e depois desaparecem do radar administrativo.

Enquanto isso, a cidade segue convivendo com estruturas paradas, perguntas sem resposta e uma sensação crescente de que, por aqui, o marketing anda sempre alguns passos à frente da gestão.

E, no meio dessa bagunça, uma certeza parece consolidada: em Araguaína, obra pública pode até começar rápido. O difícil mesmo é terminar.

 
 
 

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