Operação Nêmesis: a quem mais interessa a nova fase da investigação contra Wanderlei Barbosa?
- Tocantins Atual

- 12 de nov. de 2025
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A deflagração da Operação Nêmesis pela Polícia Federal, na manhã desta quarta-feira (12/11/2025), reacendeu o debate sobre o verdadeiro alcance e os reais interesses por trás da nova ofensiva que tem, mais uma vez, o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) no centro das atenções.
A ação foi autorizada pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou o cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão em Palmas e Santa Tereza do Tocantins.
Segundo a PF, a operação apura supostos atos de obstrução de investigações relacionadas a um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares e cestas básicas durante a pandemia da Covid-19.
Mas a grande questão que domina o cenário político tocantinense é:
a quem interessa, de fato, esta nova fase da investigação e que poder teria hoje Wanderlei Barbosa para obstruir a Justiça?
Wanderlei Barbosa está afastado do governo desde setembro, por determinação do próprio STJ, e sem qualquer acesso à estrutura administrativa, servidores ou documentos públicos. Mesmo assim, a PF volta a citá-lo como alvo de uma suposta tentativa de obstrução de investigação.
“Como um governador afastado pode interferir em algo do qual não participa há meses?”, questionou um jurista ouvido pela reportagem.
O timing da operação também desperta desconfiança: a ofensiva ocorre justamente às vésperas do julgamento do habeas corpus que pode restaurar o mandato de Wanderlei Barbosa. Para aliados, a coincidência não é casual, mas sim estratégica, com o objetivo de enfraquecer o ex-governador politicamente e desestabilizar seu grupo de apoio.
Nos bastidores, a leitura é clara: a nova fase da investigação beneficia diretamente os adversários políticos de Wanderlei e mantém sob pressão o grupo que ainda o apoia no interior.
Um deputado aliado comentou:
“Toda vez que o nome de Wanderlei começa a se fortalecer, surge uma nova operação. Isso virou um roteiro repetido.”
Outro parlamentar, de oposição, reconheceu em off:
“A operação ajuda a segurar o governo interino. Se Wanderlei volta, muda tudo e muitos perdem espaço.”
Com o governo interino tentando se consolidar e as articulações para 2026 já em curso, o caso serve para prolongar o desgaste político de Barbosa, mantendo-o afastado do poder e sob desconfiança pública.
Em nota, Wanderlei Barbosa afirmou ter recebido “com estranheza mais uma operação da Polícia Federal, justamente no momento em que cresce a expectativa pelo julgamento que pode restabelecer a verdade e devolver-lhe o mandato legítimo concedido pelo povo do Tocantins”.
Ele enfatizou que “não há como obstruir uma investigação à qual não tem acesso, sem cargo, sem equipe e sem poder de decisão”. Barbosa reforçou que segue confiante na Justiça e à disposição para esclarecer qualquer dúvida, reafirmando sua tranquilidade e fé em Deus diante das perseguições políticas.
Entre analistas, o consenso é que a Operação Nêmesis carrega um forte componente político. A repetição de fatos já apurados na Operação Fames-19, aliada ao momento da deflagração, aponta para uma tentativa clara de pressionar o Judiciário e enfraquecer o grupo do ex-governador.
“A quem interessa essa operação? Aos que temem o retorno de Wanderlei, aos que sabem do seu peso no interior e aos que não querem que a Justiça reveja o afastamento”, afirmou um observador político de Palmas.
Nos corredores da Assembleia Legislativa, a pergunta é a mesma que circula nos bastidores da Justiça e da imprensa:
Que poder tem hoje Wanderlei Barbosa para obstruir a Justiça, se está afastado, sem cargo e sob vigilância constante?
Mais do que uma simples ação policial, a Operação Nêmesis parece representar um movimento estratégico no tabuleiro político do Tocantins. O momento escolhido, a reincidência de alvos e a ausência de fatos novos reforçam a percepção de que há uma tentativa de manter Barbosa enfraquecido e sob pressão midiática.
No fim, a resposta à pergunta central torna-se evidente:
a quem mais interessa esta nova fase da investigação? Aos que lucram com o afastamento de Wanderlei, com o prolongamento das dúvidas e com o silêncio imposto a um dos nomes mais influentes da política tocantinense.












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