OPINIÃO - O Tocantins merece debate sério, não rótulos fáceis
- SILENE BORGES

- há 2 dias
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Nos últimos dias, uma tentativa apressada de rotular o deputado federal e pré-candidato ao governo do Tocantins pelo PSDB, Vicentinho Júnior, como misógino tomou conta das redes sociais. O problema é que a acusação parece muito mais fruto da guerra política digital do que de fatos concretos.
No ambiente polarizado das redes, rótulos viram armas rápidas: simples de lançar e difíceis de desfazer. Mas quando se observa com atenção a trajetória real de Vicentinho Júnior, o discurso não se sustenta.
O próprio político costuma lembrar a história da avó mãe solteira, negra, pobre e empregada doméstica como símbolo das dificuldades enfrentadas por milhões de mulheres brasileiras. Não é apenas memória afetiva; é referência de vida. Em diversas falas públicas, ele também destacou o papel central da mãe, a quem chama de “coordenadora da família”.
Na política, sua trajetória também não aponta para o perfil que adversários tentam pintar. Ao longo de sua vida pública, Vicentinho Júnior esteve envolvido em uma das batalhas mais emblemáticas da história recente do Tocantins: a luta pela chamada PEC dos Pioneiros, que buscou reparar uma injustiça contra milhares de trabalhadores que ajudaram a construir o estado entre eles, muitas mulheres que enfrentaram as condições precárias dos primeiros anos da administração pública tocantinense.

Faço aqui também um registro pessoal. Como mulher e jornalista há quase trinta anos, sempre atuei na defesa das políticas públicas voltadas às mulheres. Sou defensora da ampliação de delegacias especializadas com atendimento 24 horas para vítimas de violência, porque sei pelos dados e pela realidade que acompanhamos diariamente que o feminicídio tem crescido no Brasil e exige respostas firmes do poder público, inclusive com debates sérios sobre o endurecimento das penas.
Justamente por conhecer profundamente essa realidade e por acompanhar há décadas o debate sobre os direitos das mulheres, afirmo com responsabilidade: não vi, no pronunciamento de Vicentinho Júnior que circula nas redes sociais, qualquer ataque misógino que justifique o rótulo que tentam lhe impor.
Isso não significa que o tema da violência contra a mulher não mereça atenção ao contrário. Significa apenas que acusações graves precisam ser feitas com responsabilidade, sob pena de banalizar um problema que é extremamente sério.
Enquanto isso, o Tocantins segue enfrentando desafios reais: infraestrutura deficiente, dificuldades econômicas, necessidade de geração de empregos e melhorias urgentes em saúde e educação.
Em vez de discutir essas questões, parte do debate político parece preferir o atalho das acusações fáceis. É o tipo de estratégia que gera curtidas nas redes sociais, mas não constrói soluções para o estado.
A política tocantinense precisa amadurecer. Eleições deveriam ser disputadas com ideias, propostas e comparação de trajetórias não com rótulos fabricados no calor das disputas digitais.
No fim das contas, quem perde quando o debate é rebaixado não é um candidato ou outro. Quem perde é o Tocantins.












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