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Professores em Resistência: o Retrocesso de Wagner Rodrigues e o Silêncio Cúmplice da Senadora Dorinha

  • Foto do escritor: Tocantins Atual
    Tocantins Atual
  • 28 de out. de 2025
  • 3 min de leitura



Araguaína vive dias de tensão e indignação. Desde a última sexta-feira (17/10), professores da rede municipal entraram em estado de greve, denunciando o que chamam de “golpe silencioso” do prefeito Wagner Rodrigues contra o magistério.

O estopim foi o Projeto de Lei Complementar (PLC/2025), enviado pelo Executivo à Câmara Municipal, que propõe a revogação total do atual Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) do Magistério — e, segundo o sindicato, desmonta direitos fundamentais conquistados ao longo de duas décadas.

Na manhã de terça-feira (21), dezenas de professores ocuparam o plenário da Câmara em um ato carregado de emoção e resistência. “O prefeito tenta destruir um plano que simboliza o esforço coletivo de gerações de professores”, afirmou Rosy Franca, presidenta do Sintet Regional de Araguaína.

“Estamos diante de um golpe certeiro contra a educação e contra quem dedica a vida a ensinar”, completou a sindicalista, sob aplausos e gritos de “respeito à educação!”

A proposta da Prefeitura mantém apenas o salário-base vinculado ao piso nacional e duas gratificações simbólicas 3% para Difícil Acesso e até 30% para Incentivo Profissional , substituindo o sistema atual, que chega a 50% de reajuste por qualificação.

Além disso, o projeto revoga direitos históricos, como:

  • licença-prêmio,

  • adicional por tempo de serviço,

  • dedicação exclusiva,

  • gratificações por alfabetização e inclusão,

  • progressão automática anual.

O novo modelo também condiciona promoções e reajustes à “capacidade financeira do município”, transformando direitos permanentes em concessões políticas.

Segundo o parecer técnico do Sintet, o texto fere princípios constitucionais como a irredutibilidade salarial (art. 37, XV), o direito adquirido (art. 5º, XXXVI) e a valorização do magistério (art. 206, V e VI).

“O prefeito fala em equilíbrio fiscal, mas o que ele faz é desmontar a dignidade de quem sustenta a educação pública”, desabafou uma professora da rede municipal há 25 anos.

Nos corredores da Câmara, a pressão é intensa. Vereadores da base governista relatam ordens diretas do Paço Municipal para votar o projeto em regime de urgência, antes que a mobilização dos professores ganhe mais força.

Fontes ligadas à gestão afirmam que a equipe jurídica do prefeito foi orientada a “barrar qualquer emenda da oposição” e manter o texto original mesmo diante das denúncias de inconstitucionalidade.

Enquanto isso, a Câmara virou palco de resistência, com professores acampados, cartazes espalhados e discursos inflamados. “Não aceitaremos retrocesso travestido de modernização”, afirmam em uníssono.

Entre os elementos que mais causaram indignação na categoria está o silêncio da senadora Dorinha Rezende, ex-secretária de Educação e professora de carreira. Aliada política e nome escolhido por Wagner Rodrigues para disputar o Governo do Estado em 2026, Dorinha tem se mantido completamente inerte diante da crise.

Professores veem na omissão da senadora uma contradição dolorosa: a educadora que construiu sua imagem defendendo a valorização docente agora se cala enquanto os direitos de seus colegas são desmantelados.

“Dorinha conhece o que significa lutar por um plano de carreira. Ela sabe o peso disso na vida de cada professor. Mas hoje, por conveniência política, escolheu o silêncio”, lamentou uma liderança sindical.

O silêncio da senadora, interpretado como um gesto de apoio tácito ao prefeito, tem provocado descontentamento até entre antigos aliados. Nos bastidores, comenta-se que Dorinha evita se pronunciar publicamente para não contrariar Wagner, seu principal apoiador na corrida eleitoral.

A proposta de Wagner Rodrigues não é apenas uma mudança administrativa é, segundo o Sintet, um retrocesso social e civilizatório. Ao desmontar o PCCR, o projeto enfraquece a carreira docente, desestimula a formação continuada e compromete o futuro da educação pública em Araguaína.

“Estamos defendendo muito mais do que salários. Estamos defendendo o respeito a quem ensina e o direito dos nossos alunos a uma educação valorizada”, declarou Rosy Franca.

O sindicato pede a suspensão imediata da tramitação do projeto e exige que qualquer revisão do PCCR seja construída com ampla participação da categoria e das entidades representativas.

Até o momento, o prefeito Wagner Rodrigues não se pronunciou sobre as críticas. Já a senadora Dorinha, mesmo interpelada por entidades de classe, permanece em silêncio um silêncio que, para os professores, diz mais do que qualquer discurso.


 
 
 

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