Uma exoneração e dois discursos
- FLÁVIO GUIMARÃES

- 26 de jan.
- 2 min de leitura

Nos corredores da política local, o clima entre Wagner Rodrigues e Alexandre Guimarães parece que azedou não por anúncio oficial, nem por nota pública, mas pelo velho termômetro da política: o burburinho de bastidor.
Nada foi dito às claras. Mas tudo começou a ser comentado em voz baixa.
O estopim da vez atende pelo nome de Adriano Bessa, secretário executivo da Saúde. Fontes internas afirmam que Wagner já teria decidido pela exoneração do gestor, que não por acaso é indicação direta de Alexandre Guimarães.
E aí o jogo mudou.
Segundo fontes ligadas a Alexandre, o desconforto não foi apenas pela exoneração em si, mas pela forma. O líder político teria tomado conhecimento de todo o episódio por terceiros, o que caiu como provocação política travestida de decisão administrativa.
Nos bastidores, a leitura do grupo é direta: não se trata de gestão, mas de recado político.
A partir daí, o discurso endureceu. Interlocutores próximos afirmam que a ruptura passou a ser tratada como inevitável. “Depois dessa, não tem mais como sustentar permanência na base”, confidenciou uma fonte ligada ao núcleo político. E o alerta veio junto: outras exonerações de indicados podem ocorrer, tornando a convivência simplesmente insustentável.
Ou seja: não seria um caso isolado mas o início de uma limpa silenciosa com endereço certo.
Do outro lado, a versão muda completamente.
Fontes próximas a Wagner Rodrigues rejeitam qualquer leitura política e classificam a crise como narrativa construída para tensionar o ambiente.
Segundo relatos internos da Secretaria de Saúde, Adriano Bessa acumulava queixas de servidores, que relatam episódios de humilhações, constrangimentos e tratamento considerado abusivo no ambiente de trabalho.
Ainda segundo essas fontes, existem duas denúncias protocoladas no Ministério Público, o que teria colocado a situação em nível crítico dentro da gestão.
Diante do cenário, Wagner diz não ter outra opção senão exonerá-lo.
Nada de recado político. Nada de perseguição. Apenas, segundo sua versão, uma medida administrativa inevitável.
Ainda conforme fontes do gabinete, o prefeito chegou a entrar em contato com Alexandre Guimarães, tentando explicar todo o episódio que culminou na exoneração do secretário executivo, numa tentativa de conter o desgaste e evitar que o caso ganhasse contornos políticos maiores.
Mas, na política, explicação tardia raramente apaga ruído.
Porque quando a informação chega primeiro pelos corredores, o estrago já foi feito.
Fica então a pergunta que segue ecoando dentro da prefeitura:
Qual versão é a verdadeira? A de Alexandre, que se diz surpreendido e informado por terceiros, vendo nas exonerações um movimento calculado? Ou a de Wagner, que pode estar usando uma crise administrativa real como atalho conveniente para um rompimento definitivo, sem assumir publicamente o custo político?
No fim das contas, a verdade continua presa ao bastidor.
O que se sabe, com absoluta certeza, é que existe uma história… e duas versões.
E, como sempre, na política, o silêncio quase sempre fala mais alto que qualquer explicação.












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