A ponte da conveniência: silêncio e contradição unem Vicentinho, Ayres e Laurez em Xambioá
- Tocantins Atual

- 8 de nov. de 2025
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O evento que deveria marcar um capítulo final de progresso no Tocantins a última vistoria antes da inauguração da ponte de Xambioá acabou virando uma aula prática de como atravessar ideologias com a mesma leveza de quem atravessa o rio Araguaia.
Sob o sol do norte tocantinense, estavam lado a lado o governador interino Laurez Moreira, o ministro dos Transportes Renan Filho, e os deputados Vicentinho Júnior e Ricardo Ayres. Um encontro que, à primeira vista, parecia apenas institucional mas que, na prática, revelou mais sobre a atual paisagem política do Tocantins do que qualquer discurso preparado.
No meio de sua fala, o ministro Renan Filho resolveu abrir o baú ideológico e disparar contra Jair Bolsonaro e Michel Temer, culpando-os por atrasos e abandonos em obras federais. Um discurso abertamente político, carregado de crítica aos ex-presidentes, que foi aplaudido por aliados do governo Lula.
E foi aí que o silêncio começou a falar alto. Vicentinho Júnior, que se apresenta como “de direita, conservador e cristão”, preferiu calar e observar, como quem teme destoar do coro. O mesmo deputado que já discursou contra “os excessos da esquerda” agora parecia perfeitamente à vontade ao lado de um governador de perfil esquerdista e de um ministro petista.
Mas se Vicentinho silencia, Ricardo Ayres fala e fala com clareza sobre seu alinhamento. O deputado, que há tempos assumiu um discurso abertamente de esquerda, faz questão de destacar em entrevistas e bastidores que “não gosta de bolsonaristas” e que não se identifica com a direita. Ainda assim, posa como uma figura ponderada e de diálogo, ora ao lado de nomes da esquerda federal, ora de setores mais moderados do estado. Para muitos, sua especialidade não é exatamente a coerência, mas a habilidade de adaptar o discurso conforme o vento político sopra.
A ponte de Xambioá, prestes a ser inaugurada, acabou se tornando o símbolo perfeito dessa travessia ideológica: de um lado, quem se diz conservador e se cala; do outro, quem se diz de esquerda, mas tenta equilibrar o discurso conforme a plateia. E, no meio, o rio da conveniência por onde a política tocantinense continua fluindo, serena e contraditória.












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