Aprova Tudo, Fiscaliza Pouco e Sonha Alto
- FLÁVIO GUIMARÃES

- há 1 dia
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Em Araguaína, a corrida para 2026 começou antes mesmo de o atual mandato mostrar a que veio. Marcus Duarte, Max Baroli (Fleury), Wilson Carvalho e Lucas Campelo já se colocam como pré-candidatos, enquanto a população ainda tenta identificar quais foram, de fato, os resultados concretos entregues à cidade.
A rejeição que cresce não nasce do nada. Ela tem histórico.
Aumento de IPTU? Aprovado.PCCR alvo de fortes críticas de servidores, que alegam prejuízos? Aprovado.Projetos de interesse direto do Executivo? Aprovados com eficiência exemplar.
Quando o tema pesou no bolso do contribuinte ou atingiu categorias organizadas, faltou enfrentamento mais firme. Quando o assunto era de conveniência do prefeito, sobrou alinhamento. Essa sequência alimentou a percepção de uma Câmara mais homologadora do que fiscalizadora.
No caso de Lucas Campelo, chama atenção o fato de estar no primeiro mandato e já mirar uma candidatura federal, ancorado na base de votos que possui em Araguaína. O problema é que, até aqui, não se acumulam matérias estruturantes ou projetos de grande impacto social que justifiquem tamanho salto. Quer subir mas ainda não consolidou o andar onde está.
Marcus Duarte, por sua vez, demonstra pouco entusiasmo em permanecer vereador, especialmente após ter ocupado interinamente uma secretaria por dois meses. A experiência relâmpago parece ter sido suficiente para mudar o foco. Mas experiência pontual não é sinônimo de legado consolidado.
Já Max Fleury, na presidência da Câmara, enfrenta críticas severas nos bastidores e entre observadores políticos, sendo apontado por muitos como um dos presidentes mais frágeis da história recente do Legislativo municipal. A gestão é vista como burocrática, pouco combativa e distante das grandes pautas estruturais da cidade. E mesmo assim, o projeto eleitoral avança.
E há ainda outros vereadores ensaiando pré-candidaturas — o detalhe é que muitos sequer são lembrados espontaneamente pela população. Querem disputar cargos maiores, mas ainda lutam para serem reconhecidos pelo trabalho no cargo atual.
A ironia é inevitável: antes de pedir promoção, talvez fosse prudente apresentar resultados.
A população de Araguaína não é ingênua. O eleitor pode até não reagir todos os dias, mas observa. Sente o impacto no IPTU, no contracheque, nos serviços públicos que não avançam na mesma velocidade das promessas. E no dia do voto, a memória costuma ser menos curta do que alguns apostam.
2026 ainda está distante no calendário. Mas politicamente, para muitos desses vereadores, pode estar perigosamente perto demais.
Porque quem aprova sem tensionar, fiscaliza sem profundidade e sonha alto demais pode descobrir que o eleitor também sabe fazer contas e cobrar a fatura.












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