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CHAPA DE BRASÍLIA E O GRANDE BALCÃO DOS SUPLENTES

  • Foto do escritor: WELTON FERREIRA
    WELTON FERREIRA
  • há 12 horas
  • 2 min de leitura



Há um jogo sendo jogado longe dos palanques, dos santinhos e das promessas emocionadas de campanha e curiosamente quase ninguém quer falar sobre ele: o teatro silencioso (e conveniente) dos suplentes de senador.

Eles não pedem voto.Não aparecem no horário eleitoral.Não encaram debate. Não explicam nada.

Mas podem, num passe de mágica, assumir uma cadeira no Senado Federal  sem nunca terem sido escolhidos diretamente pelo eleitor.

Já é um arranjo esquisito por natureza.

Mas a chapa liderada por Dorinha Seabra decidiu elevar essa distorção ao nível da engenharia política criativa.

O SENADO EM 50% OFF

O deputado e pré-candidato ao Senado Carlos Gaguim resolveu inovar: revelou que ofereceu metade do próprio mandato ao governador Wanderlei Barbosa.

Metade.

Quatro anos para um, quatro anos para o outro.

Como se o mandato fosse um loteamento político algo que se divide, negocia e transfere conforme a conveniência.

Um pequeno detalhe: o eleitor vota em um senador, não em um “rodízio de poder”.

Mas o roteiro ficou ainda mais surreal.

Depois de anunciar o “acordo de meio mandato”, Gaguim disse que o plano já não valeria mais porque a vaga de primeiro suplente já havia sido prometida a outra pessoa.

E essa pessoa não é exatamente uma liderança tocantinense.

É Maria Emília de Rueda, a Mila Rueda tesoureira nacional do União Brasil e irmã de Antônio Rueda.

Radicada em São Paulo, Mila não chega com base eleitoral local, trajetória regional ou vínculo político com o Tocantins.

Seu ativo é outro: o cofre.

O União Brasil é hoje a máquina partidária mais abastecida do país fruto da fusão entre DEM e PSL e opera com cifras que orbitam centenas de milhões em fundo eleitoral.

Ou seja: a suplência deixa de ser representação e vira investimento.

O QUE ELA GANHA?

Prestígio? Sim.

Mas também algo bem mais útil: foro.

Caso surja qualquer turbulência jurídica no horizonte político, a cadeira no Senado pode oferecer algo que dinheiro nenhum compra com facilidade proteção institucional.

EDUARDO GOMES NÃO FICOU PARA TRÁS

Do outro lado do tabuleiro, o senador Eduardo Gomes, do Partido Liberal, também demonstra que suplência virou moeda estratégica.

Seu projeto nunca foi esconder ambição: não quer ser o homem mais poderoso do Tocantins.

Quer ser o segundo mais poderoso do Brasil presidindo o Senado.

E para isso, escolheu como suplente o empresário Luiz Osvaldo Pastore.

Figura conhecida nos bastidores do poder, Pastore transita com desenvoltura entre política, negócios e círculos influentes do Judiciário.

Com patrimônio superior a R$ 450 milhões e histórico generoso de doações eleitorais, ele preenche todos os requisitos do novo padrão de suplência:

Não precisa de voto. Precisa de capital.

DO SUPLENTE DE ESTADO AO SUPLENTE DE INTERESSE

Curiosamente, quando se elegeu em 2018, Eduardo Gomes apresentou ao eleitor um suplente que dispensava explicações: José Wilson Siqueira Campos.

Nome conhecido. História conhecida. Peso político real.

Hoje, o modelo mudou.

O suplente não precisa mais representar o Estado.

Precisa representar o acordo.

E, claro, ninguém pretende anunciá-los em alto e bom som na campanha.

Porque quanto menos o eleitor souber sobre quem realmente pode sentar na cadeira… melhor funciona o negócio.

 
 
 

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