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Dança das Siglas: indecisões, cálculos e o novo eixo de poder no Tocantins

  • Foto do escritor: FLÁVIO GUIMARÃES
    FLÁVIO GUIMARÃES
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura


O tabuleiro político do Tocantins virou um verdadeiro balcão de negociações e, ao que tudo indica, ninguém quer sair da vitrine antes de avaliar cada centímetro do preço e do poder.

A hesitação de Janad Valcari sobre migrar ou não para o Progressistas (PP) já deixou de soar como estratégia e começa a resvalar no constrangimento público. Vai? Não vai? Fica? Aguarda? Enquanto a resposta não chega, aliados improvisam justificativas para um silêncio que grita. Em política, indecisão prolongada raramente é tática geralmente é sintoma: falta de convicção ou excesso de cálculo.

Nos bastidores, o recado é direto: ninguém quer desembarcar em um partido sem saber quem dará as cartas amanhã. E é justamente aí que entra o possível avanço de Carlos Gaguim rumo ao comando estadual da legenda.

Se confirmado, o cenário muda e muda com peso. Gaguim não construiu sua trajetória operando em tom neutro. Sua eventual chegada à presidência do PP tende a significar centralização, redesenho de alianças e uma nova hierarquia de prioridades eleitorais.

Se Janad já demonstra cautela agora, imagine com Gaguim no comando. A filiação deixaria de ser mera mudança partidária para se transformar em alinhamento estratégico com um grupo de perfil firme e pragmático. A dúvida que circula nos corredores é inevitável: ela pretende protagonismo ou aceita o papel de coadjuvante?

Enquanto isso, Filipe Martins mantém um flerte político com o PSDB. E, como todo namoro partidário, o desfecho pode ser aliança duradoura ou rompimento protocolar.

O PSDB, ainda tentando reencontrar relevância após sua crise de identidade nacional, enxerga em Filipe um possível sopro de renovação. Já ele parece medir com cautela o peso real da sigla antes de assumir qualquer compromisso. Afinal, ninguém deseja subir em palanque sustentado por estrutura frágil e discurso reciclado.

No pleito que se aproxima, o efeito pode ser um novo ciclo de fragmentação.

Se Janad optar por um PP sob influência de Gaguim, a sigla pode ganhar densidade e virar polo de atração para candidaturas competitivas. Se permanecer onde está, sinaliza independência ou risco de isolamento.

Já Filipe, ao eventualmente fechar com o PSDB, herdará a missão de revitalizar uma legenda que luta para não ser reduzida à condição de figurante. Se recuar, reforça a percepção de que a sigla hoje não oferece segurança nem aos seus próprios pretendentes.

O resultado provável: um pleito moldado por rearranjos de última hora, alianças circunstanciais e discursos desenhados mais pela matemática eleitoral do que por qualquer convicção programática.

Ideologia vira nota de rodapé. Sobrevivência política vira manchete.

E, ao final, o eleitor observa mais uma coreografia já conhecida porque, no Tocantins, trocar de partido deixou de ser movimento estratégico e virou quase uma modalidade esportiva. Medalha, porém, continua sendo exclusiva de quem calcula melhor o tempo do salto.

 
 
 

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