Eduardo Gomes: o camaleão político do Tocantins e o jogo das mil caras
- Tocantins Atual

- 17 de out. de 2025
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Se existe um político que domina a arte de estar em todos os lugares ao mesmo tempo e ainda sair da foto como se nunca tivesse estado lá , esse político é Eduardo Gomes. O senador parece ter feito da contradição um talento e da ambiguidade, uma estratégia de carreira. É o tipo de figura que aperta a mão de um lado e já ensaia o abraço do outro.
Publicamente, posa de escudeiro fiel de Dorinha Seabra, a senadora que tenta se vender como o novo rosto do poder no Tocantins. Mas, nos bastidores, Eduardo brinca de xadrez com três tabuleiros ao mesmo tempo e, convenhamos, nenhuma das peças veste exclusivamente as cores de Dorinha. Lá estão Laurez Moreira e Ronaldo Dimas, dois aspirantes ao trono que, mal sabem, também estão sendo “aconselhados” pelo mesmo estrategista.
Em bom tocantinês: enquanto Dorinha jura ter um aliado de confiança, talvez seja apenas a peça mais colorida do jogo em que o verdadeiro rei atende pelo nome de Eduardo.
E há quem diga que o senador pode estar pronto para um movimento ainda mais ousado: tirar a própria Dorinha do páreo e entrar pessoalmente na disputa pelo governo. Seria o golpe de mestre ou o salto mais arriscado de sua carreira. A pergunta que ecoa nos bastidores é simples: Eduardo Gomes teria coragem de encarar essa disputa de frente ou vai continuar jogando pelas beiradas, como sempre fez?
Mas o roteiro político do Tocantins nunca é simples e Eduardo parece gostar do drama. Veja o caso de Janad Valcari: de repente, ela aparece muito bem nas pesquisas para o Senado. Coincidência? Poucos acreditam. Muitos veem ali o dedo do próprio Eduardo, montando o tabuleiro de forma calculada.
Se Janad crescer demais, sobra para Gaguim, que anda tentando se equilibrar entre elogios e desconfianças. E conhecendo o ego de Janad, se o jogo apontar uma chance real, ela não pensaria duas vezes antes de disputar o Senado mesmo sabendo que seria muita areia para o seu caminhãozinho.
Camaleônico, Eduardo não se expõe ele se infiltra. Nunca rompe, apenas se reposiciona. Quando o barco afunda, já está de colete salva-vidas e com a próxima lancha à vista. É um especialista em estar sempre “próximo” do poder, mesmo que precise trocar de companhia no meio da travessia.
E o roteiro fica ainda mais saboroso se o governador afastado Wanderlei Barbosa voltar ao jogo. Eduardo e Wanderlei vêm de tempos em que política se fazia em mesa de bar e não em rede social. E se o governador afastado reassumir o posto, alguém duvida que Eduardo já esteja polindo o discurso da reaproximação? No fundo, os dois se conhecem bem talvez até demais.
Eduardo Gomes tem um dom que poucos admitem, mas muitos invejam: o de nunca perder, mesmo quando parece derrotado. Se Dorinha vencer, ele será o artífice da vitória. Se ela cair, já tem café marcado com Laurez e uma piscadela reservada a Wanderlei. É o tipo de político que não joga para ganhar joga para nunca sair do tabuleiro.
E é por isso que sua figura irrita e fascina ao mesmo tempo. Eduardo fala em lealdade com a naturalidade de quem recita poesia, mas pratica sobrevivência com a frieza de quem entende que, no Tocantins, fidelidade é um artigo de luxo e coerência, uma excentricidade.
No fim, o tempo dirá se o senador está mesmo ajudando Dorinha ou apenas pavimentando a estrada para o próximo poderoso de plantão. Mas uma coisa é certa: no teatro político tocantinense, Eduardo Gomes nunca é o coadjuvante é o roteirista que muda o script enquanto os outros ainda decoram as falas.
E se o plano for maior do que todos imaginam, talvez o Tocantins esteja prestes a assistir à mais elegante traição política dos últimos tempos com Eduardo Gomes no papel principal, sorrindo enquanto o resto do elenco ainda tenta entender qual peça está em cartaz.












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