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O Xadrez de Wanderlei: Entre o Cadeado do Palácio e a Porta do Senado

  • Foto do escritor: SILENE BORGES
    SILENE BORGES
  • 10 de out. de 2025
  • 2 min de leitura



O cenário político do Tocantins vive um daqueles dramas que misturam a frieza da lei com o calor da paixão popular. No centro dele está Wanderlei Barbosa, uma figura que, paradoxalmente, parece ganhar força justamente quando as portas do poder lhe são fechadas à chave. Com todos os recursos negados e o afastamento do governo mantido, Wanderlei tornou-se um governante sem gabinete, um líder pelo avesso. Sua popularidade, ironicamente, não apenas resiste ela floresce sob o sol inclemente da adversidade.

A pergunta que paira no ar, carregada de um misto de curiosidade e cálculo político, é direta: Wanderlei deve renunciar ao governo para se lançar candidato ao Senado?

À primeira vista, a jogada parece um lance de mestre. Renunciar não seria uma derrota, mas uma transição estratégica. Transformaria o afastamento forçado em uma retirada voluntária, com um propósito nobre: buscar um novo mandato para servir ao povo tocantinense em outra esfera. No Senado, ele poderia continuar sua “obra”, distante das investidas jurídicas que o assombram no Executivo. A popularidade alta seria sua principal moeda, e a imagem de “perseguido” poderia ser capitalizada com maestria, criando uma narrativa poderosa de resistência e renovação.

Além disso, a renúncia abriria a porta da liberdade que um afastado não tem: a de falar, agir e campanhar abertamente. Ele sairia da jaula processual para a arena eleitoral seu habitat natural. Seria uma fuga para a frente, transformando fraqueza institucional em força política.

Mas olhar para frente nem sempre significa correr para a próxima porta. A renúncia é uma faca de dois gumes. Pode ser libertação, mas também interpretação de culpa. Seus adversários não hesitariam em pintar o gesto como fuga, não como coragem o bordão “abandonou o barco para salvar a si mesmo” escrever-se-ia sozinho.

Há outro risco: e se, renunciando e candidatando-se, ele perder a eleição? Seria o pior dos mundos sem governo, sem mandato, e com a aura de invencibilidade abalada. O afastamento, por mais incômodo que seja, ainda o mantém no jogo, como um boxeador que, caído, ainda não foi nocauteado. A renúncia seria o toque de luvas do árbitro encerrando a luta.

A decisão de Wanderlei Barbosa vai, portanto, muito além da tática eleitoral. É um teste de caráter, de estratégia e de legado. É medir o peso da popularidade contra a rigidez da lei. É decidir se o melhor palanque é o do Senado ou o do próprio martírio político.

Aos olhos do povo, ele pode ser o herói injustiçado. Aos olhos da lei, um administrador afastado. Mas a pergunta central não é “posso ganhar?”, e sim: “que história quero contar?” Renunciar pode ser o caminho mais rápido para uma nova vitória mas permanecer na luta, mesmo à distância, pode ser o retrato de quem não foge da raia.

O Tocantins observa. E o tabuleiro político aguarda seu próximo movimento. Parado ele não pode ficar. Como assessor, eu agilizaria hoje não amanhã todas as jogadas lícitas, democráticas e legais.

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