Pressão, promessa e desespero: Laurez tenta rifar Wanderlei e se enrola na própria rede de intrigas
- Tocantins Atual

- 30 de out. de 2025
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O governador em exercício Laurez Moreira (PSD) parece ter deixado de lado a caneta institucional e abraçado de vez o papel de cobrador de assinatura porta a porta. Nos últimos dias, ele tem batido de gabinete em gabinete na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), tentando convencer ou melhor, dobrar deputados estaduais a assinarem um documento que obriga o presidente da Casa, Amélio Cayres (Republicanos), a pautar um dos quatro pedidos de impeachment contra o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos).
Os pedidos, esquecidos desde a decisão do ministro Mauro Campbell em 3 de setembro, viraram agora a arma de sobrevivência de Laurez, que tenta de todo jeito trancar o Palácio Araguaia antes que Wanderlei volte pela porta da frente.
E não faltam “incentivos” nessa romaria política. Segundo fontes próximas ao governo, Laurez vem distribuindo promessas de cargos, emendas milionárias e repasses quase instantâneos, como se o cofre do Estado fosse uma espécie de caixa de campanha. Já os que resistem à pressão ou ao charme duvidoso do interino recebem o outro lado da moeda: ameaças veladas, perda de indicações políticas e bloqueio de emendas parlamentares.
Mesmo assim, o plano não decolou. Das 16 assinaturas necessárias para dar vida ao impeachment, Laurez só conseguiu 8. O número é tão tímido que, segundo rumores que circulam na Aleto, o governador “não conseguiria nem montar um time de futsal com reservas”.
Um deputado, que pediu anonimato para não perder o que ainda lhe resta de cargo, foi direto:
“O Gutierres Torquato (PDT), que virou o mensageiro de Laurez aqui dentro, tem pressionado os colegas. Mas não vou ceder. Wanderlei não foi sequer denunciado e pode voltar a qualquer momento pelas mãos da mesma Justiça que o afastou.”
Outro parlamentar, igualmente abordado, foi ainda mais sincero:
“Não tem clima. O eleitor não entenderia. Wanderlei ainda é popular. Como explicar que fomos beneficiados por ele e agora assinamos a cassação? Seria cuspir no prato que nos alimentou.”
De acordo com fontes da própria presidência da Aleto, o presidente Amélio Cayres avalia que a Casa não tem clima político nem estabilidade institucional para votar um processo de impeachment neste momento. Em tom reservado, ele tem repetido que qualquer movimentação precipitada “poderia incendiar o plenário e dividir o parlamento”, sinalizando que não pretende se deixar usar como instrumento político de ninguém.
Entre fontes políticas e rumores de corredores, a leitura é quase unânime: Laurez quer liquidar o fantasma do retorno de Wanderlei antes que o Supremo decida. Afinal, a cadeira de governador é macia, e quem senta nela não costuma querer levantar. O problema é que quanto mais ele tenta se firmar, mais se afunda no próprio pântano político que ajudou a cavar.
Enquanto isso, em Brasília, o ministro Nunes Marques, relator do Habeas Corpus de Wanderlei Barbosa, pode mudar o rumo da novela a qualquer momento seja levando o caso à Segunda Turma do STF na terça-feira, 4 de novembro, ou despachando sozinho, num ato que deixaria Laurez sem chão (e sem tempo para mais promessas).
E o que mais se ouve entre fontes ligadas à Aleto é justamente isso: a pressa de Laurez tem cheiro de medo. Medo de perder o poder antes de aprender a usá-lo, medo de ser lembrado como o governador interino que tentou virar titular à força e acabou refém da própria ambição. No Tocantins, dizem que quem joga contra o vento do povo costuma ser varrido da história. E o vento, neste momento, sopra forte a favor de Wanderlei.












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