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Semana em Destaque: Tocantins entre o discurso, o caos urbano e a prévia de uma eleição sem donos

  • Foto do escritor: FLÁVIO GUIMARÃES
    FLÁVIO GUIMARÃES
  • há 12 minutos
  • 3 min de leitura




A semana política no Tocantins foi marcada por um contraste gritante entre discursos institucionais, crises urbanas visíveis a olho nu e a antecipação de uma disputa eleitoral que promete ser uma das mais duras e imprevisíveis da história recente do Estado. O pano de fundo é claro: ninguém tem eleição garantida, pesquisas não entregam mandatos e o eleitor parece cada vez mais desconfiado.

No campo eleitoral, o recado foi direto: pesquisa não elege ninguém. O clima que se desenha para 2026 é de tensão, fragmentação e ausência de “donos do jogo”. Grupos políticos se movimentam, narrativas são testadas, mas o cenário permanece aberto, revelando um eleitorado mais crítico e menos disposto a embarcar em projetos prontos ou salvadores da pátria.

No Legislativo, a Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) abriu oficialmente o Ano Legislativo com discursos pautados no diálogo, em políticas sociais e no desenvolvimento do Estado. O tom institucional predominou, mas a expectativa agora recai sobre a prática: se o discurso de convergência se transformará em entregas concretas ou ficará restrito à liturgia do cargo.

Já no Executivo, o governador Wanderlei Barbosa reuniu o secretariado e definiu metas para o Governo do Tocantins em 2026, numa tentativa clara de alinhar gestão, discurso e resultados. A reunião sinaliza planejamento e organização, mas também evidencia que o tempo político começou a correr e rápido. A cobrança por eficiência tende a aumentar à medida que o calendário eleitoral avança.

Enquanto isso, nos municípios, a realidade expõe prioridades questionáveis. Em Gurupi, o Carnaval pareceu valer mais que a saúde, escancarando um debate recorrente: até que ponto eventos e festas justificam investimentos quando serviços essenciais enfrentam dificuldades estruturais? A crítica ecoou forte e encontrou respaldo em parte da população.

Em Palmas, o cenário é ainda mais simbólico. A capital literalmente afunda em buracos, com ruas deterioradas e infraestrutura comprometida, enquanto o gabinete municipal navega em um episódio que virou símbolo do distanciamento entre gestão e realidade: um chá alemão de R$ 23 mil, em plena “era dourada” da comunicação oficial do prefeito Eduardo Siqueira. O contraste entre o marketing sofisticado e a cidade esburacada virou munição política e indignação popular.

No campo das disputas locais, Lucas Campelo voltou ao centro das críticas, acusado de tentar se apropriar politicamente de uma creche que não criou. O episódio reforça uma prática antiga, mas cada vez mais malvista: a tentativa de carimbar obras alheias como capital político próprio, num eleitorado que já demonstra cansaço desse tipo de manobra.

Entre denúncias e escândalos, dois casos chamaram atenção pelo peso simbólico e financeiro. O primeiro, batizado de “O Mercenário do Real”, expôs uma engrenagem de favores, caos político e negócios nebulosos, incluindo um carro transformado em hipoteca um retrato quase caricato, mas profundamente preocupante, de como interesses privados ainda se misturam ao poder público.

O segundo, mais concreto e devastador, foi o “Asfalto Fantasma” de Praia Norte. Cerca de R$ 2,3 milhões simplesmente desapareceram das ruas, transformando vias prometidas em poeira e desconfiança. O caso reforça o velho problema da má gestão e do desvio de recursos, que segue cobrando seu preço direto da população.

No balanço da semana, o Tocantins se mostra como um Estado em ebulição política: discursos elegantes, crises visíveis, denúncias recorrentes e uma eleição que se aproxima sem favoritos claros. O eleitor observa, julga e, cada vez mais, cobra. A pergunta que fica não é quem lidera pesquisas, mas quem, de fato, consegue entregar resultados em meio ao barulho, às promessas e às contradições do poder.

 
 
 

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