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Editorial | O dinheiro voltou. E a sombra sobre Eduardo Gomes continua.

  • Foto do escritor: WELTON FERREIRA
    WELTON FERREIRA
  • há 12 horas
  • 2 min de leitura



Brasília tem uma habilidade impressionante: transformar constrangimento em formalidade.

O Supremo Tribunal Federal decidiu que as emendas parlamentares podem voltar a correr. Com selo de transparência, discurso de moralidade e aquele verniz institucional que faz tudo parecer limpo mesmo quando a poeira ainda está no ar.

O relator Flávio Dino abriu a porteira com a promessa de rastreabilidade. O ministro Alexandre de Moraes lembrou que o poder não é absoluto. Brasília concordou com a cabeça. E seguiu.

Porque o dinheiro não gosta de esperar.

Mas há algo que ficou do lado de fora dessa celebração republicana: a investigação da Polícia Federal.

E dentro dela, ainda está o nome do senador Eduardo Gomes.

Não como réu.Não como denunciado.Mas também não como alguém descartado do enredo.

Seu nome aparece em mensagens extraídas de celulares apreendidos na operação que já atingiu figuras como Josimar Maranhãozinho, Pastor Gil e Bosco Costa, todos do Partido Liberal.

Coincidência?Talvez.

Mas, curiosamente, o caso segue aberto.

Brasília, no entanto, prefere agir como se o passado fosse um detalhe técnico.

As emendas voltam com novas regras, novos controles, novas exigências. Agora tudo será registrado, documentado, rastreado. Uma espécie de “compliance da verba pública”.

Que alívio.

Só há um pequeno problema: a transparência que se promete para o futuro pode iluminar o passado.

E é justamente no passado recente que surgem diálogos, conexões e interlocutores que levam ao entorno de Eduardo Gomes tudo ainda sob análise, tudo ainda sem conclusão, tudo ainda vivo.

Nos bastidores, ninguém se apressa em defender com entusiasmo. O tom é sempre o mesmo:

“Não há denúncia.”“Não há prova definitiva.”“Não há conclusão.”

Perfeito.

Mas também não há arquivamento.

O país decidiu destravar o dinheiro antes de destravar a verdade.

Essa é a síntese incômoda.

As emendas voltam ao circuito político enquanto a investigação continua examinando mensagens que, no mínimo, colocam o senador no campo de interesse dos investigadores.

Nada foi encerrado.Nada foi inocentado.Nada foi esquecido.

Apenas empurrado para o rodapé.

E assim, sob o aplauso da institucionalidade, o cofre reabre.

Com discursos sobre moralidade, legalidade e publicidade.

Enquanto isso, no silêncio técnico dos inquéritos, o nome de Eduardo Gomes continua ali não como página virada, mas como capítulo em andamento.

Talvez a maior ironia seja esta:

A política decidiu que as emendas já podem voltar.

Resta saber se a verdade também continuará tendo autorização para circular.

 
 
 

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