Os destaques da semana e o retrato de uma política em permanente rearranjo
- FLÁVIO GUIMARÃES

- há 5 horas
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A semana política no Tocantins foi marcada menos por surpresas e mais por confirmações confirmações de práticas, de prioridades e de um modo de operar que parece resistir ao tempo, às crises e até ao constrangimento público.
No centro do noticiário, o nome de Jorge Frederico voltou a aparecer associado não a projetos estruturantes ou soluções administrativas, mas a disputas, rearranjos e contradições. Enquanto isso, um rombo de R$ 11 milhões na Fazenda de Porto Nacional entrou na mira do Ministério Público, expondo mais uma vez a fragilidade dos controles e a recorrente distância entre discurso e gestão.
Mas o que realmente chamou atenção foi o movimento silencioso e ao mesmo tempo ruidoso em seus efeitos do chamado G5. O grupo, que já foi vendido como força de equilíbrio político, hoje dá sinais claros de desgaste. E não afunda sozinho. No entorno, orbitam nomes de peso como Dorinha Seabra, Eduardo Gomes e Carlos Gaguim, todos vinculados, em maior ou menor grau, a essa engenharia política que parece mais preocupada com sobrevivência do que com direção.
A chamada “Chapa de Brasília” também ganhou novos contornos ao longo da semana não como projeto de futuro, mas como um grande balcão de suplências, onde a política se organiza menos por afinidade ideológica e mais por conveniência matemática.
Enquanto isso, o Ministério Público do Tocantins lançou luz sobre práticas que há muito deixaram de ser exceção: a recomendação de exoneração envolvendo a primeira-dama reacendeu o debate sobre nepotismo e sobre a persistência de estruturas familiares dentro da máquina pública.
No campo institucional, o caso da ponte que caiu e do orçamento que inflou segue como metáfora perfeita: obras que desabam enquanto cifras crescem. A engenharia pode falhar o orçamento, curiosamente, raramente falha para menos.
Também gerou debate a proposta de licença compensatória na Defensoria Pública. A pergunta que ficou no ar e que ecoou na opinião pública foi simples: trata-se de licença ou privilégio?
No tabuleiro partidário, a filiação de Vicentinho Júnior ao PSDB movimentou o cenário e reposicionou forças para o próximo ciclo eleitoral. Não se trata apenas de troca de sigla, mas de sinalização estratégica.
E talvez o símbolo mais eloquente da semana tenha sido o movimento de Jorge encontrando abrigo justamente onde antes fazia oposição. Na política tocantinense, perder pode até não doer mas coerência, ao que parece, continua sendo opcional.
Ao final, o saldo é claro: a política segue em permanente rearranjo, mas as práticas continuam assustadoramente estáveis. E, mais uma vez, o debate público gira não em torno de soluções, mas de sobrevivência.












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