Jorge encontra abrigo onde antes fazia oposição
- FLÁVIO GUIMARÃES

- há 11 horas
- 2 min de leitura

Na política de Araguaína, memória é artigo de luxo e coerência, um acessório descartável.
Até outro dia, Jorge Frederico do Republicanos e o grupo do prefeito Wagner Rodrigues do União Brasil eram como vizinhos que brigaram por muro: não se falavam, não se olhavam e, se cruzassem na rua, mudavam de calçada.
Hoje? Compartilham mais que o mesmo espaço: dividem estrutura.
A reconciliação que brota do contracheque
O que mudou? Princípios? Convicções? Projeto de cidade?
Não.
Mudou o acesso ao poder.
Fontes de dentro daquelas que sabem quem entra pela porta da frente e quem chega pelo elevador de serviço cravam que o embarque de Jorge no Paço veio acompanhado de um “pacote de sobrevivência”.
O número que circula, com naturalidade constrangedora:
➡️ Cerca de 50 vagas por vereador do grupo.
➡️ Aproximadamente 200 cargos no total.
E mais: bastidores relatam que até mesmo a esposa de um vereador ligado a Jorge, exonerada de função no Estado, já teria sido acomodada na estrutura da Prefeitura.
Tudo isso, curiosamente, após a turma jorgista perder espaço em órgãos estaduais.
Ou seja: saiu pela exoneração… voltou pela acomodação.
O Paço virou aquilo que nenhum discurso admite, mas todo bastidor reconhece: um centro de realocação política para desalojados do governo.
O GPS ideológico de Jorge
O trajeto recente dispensa interpretação:
Já orbitou Wanderlei Barbosa. Depois encontrou abrigo em Laurez Moreira. Agora se instala sob o guarda-chuva municipal.
Próxima parada?
Os mesmos bastidores cochicham: o radar já aponta para Dorinha Seabra.
Não por afinidade. Por necessidade.
Porque quando o vento da sobrevivência sopra, ideologia vira bagagem de mão fácil de despachar.
Confiança: o item que nunca chega
O movimento até pode garantir espaço, mas não resolve o principal problema:
Jorge não leva confiança na mala.
Nos corredores, a definição é cruel e recorrente:
“Ele não constrói ponte. Ele atravessa qualquer uma que pague pedágio.”
Troca de lado com a naturalidade de quem troca de roupa. Sem constrangimento. Sem cerimônia. Sem explicação.
O que importa não é com quem estava ontem mas onde pode se encaixar amanhã.
Wagner: aliado ou salva-vidas?
Nesse enredo, Wagner não aparece como parceiro político clássico.
A imagem que mais se repete nos bastidores é outra:
A prefeitura virou o bote salva-vidas onde Jorge e seus correligionários embarcaram após o naufrágio estadual.
E como todo resgate em mar revolto, ninguém pergunta de onde veio o náufrago desde que ele chegue com algum peso eleitoral… ou ao menos com gente para acomodar.
A dúvida que paira não é se Jorge mudou.
Isso ele sempre faz.
A dúvida é:
Esse abraço administrativo é apenas abrigo temporário…ou já é o primeiro passo rumo ao próximo colo eleitoral?
Porque em Araguaína, pelo visto, rivalidade dura até aparecer vaga.











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