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O MERCENÁRIO DO REAL: A MÁQUINA DE FAVORES, O SEMEADOR DE CAOS E O CARRO QUE VIROU UMA HIPOTECA

  • Foto do escritor: WELTON FERREIRA
    WELTON FERREIRA
  • há 10 horas
  • 3 min de leitura


Enquanto a política regional se veste de discurso público, um nome opera nos bastidores com a frieza de um agiota e a precisão de um atirador de elite: Carlos Gaguim. Conhecido nos corredores do poder como “o Banqueiro do Um Real”, Gaguim elevou o empréstimo de influência a uma arte marcial da política onde um favor mínimo pode custar uma dívida vitalícia.

Fontes internas, que falam apenas sob a condição de absoluto anonimato (afinal, ninguém quer uma cobrança futura), descrevem um modus operandi tão simples quanto perverso. A lógica é quase bíblica: “Ele te empresta um real. Mas, na hora de cobrar, o valor é um milhão. E a moeda não é dinheiro é a sua alma política.” O favor inicial costuma ser discreto: uma indicação, um apoio silencioso, uma mão estendida no momento certo. Mas há episódios que beiram o surreal e ajudam a ilustrar a engrenagem.

Um exemplo clássico, citado com espanto por quem conhece os bastidores, envolve o governador Wanderlei. À época em que esteve afastado do cargo, conta-se que Gaguim “fez o favor” de emprestar seu carro ao político. Um gesto de solidariedade? Longe disso. Nos corredores do poder, a narrativa é outra: o episódio teria se convertido na “hipoteca do século”. Fontes afirmam que, nos últimos tempos, Gaguim passou a cobrar de Wanderlei apoio incondicional à candidatura de Dorinha ao Governo e à sua própria pré-candidatura ao Senado. O preço do empréstimo do automóvel? A subordinação política total. O carro virou uma camisa de força.

“Aceitar algo dele é assinar um contrato com cláusulas invisíveis”, relata um ex-aliado, hoje politicamente falido. “Quando você percebe, já foi engolido. A cobrança não vem em nota fiscal. Vem como um pedido ‘irrecusável’. E você pensa dez, vinte vezes antes de dizer não, porque sabe que a retaliação pode ser devastadora.”

Mas a especialidade do “Banqueiro” não se limita à usura de favores. Ele atua também como arquiteto do caos estratégico. Fontes bem posicionadas no núcleo do poder afirmam, sem rodeios, que foi Gaguim quem começou a fomentar, com paciência de ourives, a ruptura entre Wanderlei e Laurez. O método seria clássico: sussurros seletivos, informações truncadas distribuídas a cada lado, a construção lenta e calculada da desconfiança mútua. O objetivo final permanece o mesmo: fragmentar para reinar, enfraquecer polos autônomos e obrigar todos a passar pelo seu balcão de negócios.

Sua leitura de cenário, contudo, nem sempre se confirma. Há cerca de dois anos, era ele quem circulava pela Assembleia e pelos salões partidários anunciando, quase como um profeta autoproclamado, que Dorinha seria a pré-candidata ao governo. Um investimento político antecipado, mais um “empréstimo de um real” com expectativa de retorno milionário em influência no Palácio. O problema é que alguns “clientes” se recusam a pagar juros extorsivos.

A resposta veio em áudios vazados e amplamente divulgados, nos quais a própria Dorinha minimiza a parceria e crava: “Não preciso de ninguém para me eleger.” O tiro saiu pela culatra. A cena expôs o risco do modelo: quando o “devedor” tem capital político próprio, o calote vira uma facada no prestígio do agiota.

O ápice da atuação, porém, estaria na fase do “pistoleiro político”. Gaguim não se contentaria em ser um operador de bastidores ou um semeador de intrigas. Quando escolhe um grupo geralmente a facção majoritária do momento e esse grupo fecha uma chapa, o personagem muda. Sai o terno do banqueiro; entra, metaforicamente, o coldre.

“Ele se torna o executor”, relata uma fonte do centro do poder. “A patota define o alvo: fulano precisa ser queimado na mídia, ciclano deve ser pressionado a mudar o voto, beltrano precisa ter um projeto sabotado na calada da noite. Aí chamam o Gaguim. Ele faz o trabalho sujo: articula pressões, mobiliza dependentes, espalha medo. É serviço de sniper: um tiro, uma baixa, nenhum recibo.”

A pergunta que fica é inevitável: em um ambiente onde todos negociam, onde termina o papel do articulador e começa o do agiota? Gaguim parece ter escrito o próprio manual: empresta o carro, cobra o cargo; semeia a discórdia, vende a reconciliação; aposta na candidata, sofre o calote. Um negócio quase perfeito até o dia em que os “devedores” percebem que a única forma de sair do jogo é rasgar o contrato invisível.

A reportagem procurou Carlos Gaguim para exercer o direito de resposta, mas sua assessoria informou que ele está “indisponível”  possivelmente revisando a tabela de juros de favores pendentes ou em busca de um novo cliente a quem possa emprestar, quem sabe, um guarda-chuva numa tarde de chuva. O preço da locação, como sempre, seria apenas a lealdade eterna.

 
 
 

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