PALMAS AFUNDA EM BURACOS, ENQUANTO GABINETE NAVEGA EM CHÁ ALEMÃO DE R$ 23 MIL: A "ERA DOURADA" DE EDUARDO SIQUEIRA
- FLÁVIO GUIMARÃES

- há 12 horas
- 2 min de leitura

Enquanto as ruas da capital se transformam em verdadeiras pistas de rally, com buracos que engolem pneus e a paciência pública, e bairros inteiros se sentem órfãos de qualquer gestão que preste, a Prefeitura de Palmas deu uma aula magistral sobre prioridades. A grande crise da administração Eduardo Siqueira não são as vias esburacadas, a iluminação pública morta ou a sensação geral de abandono. A verdadeira emergência, caros cidadãos, é a ameaça iminente de desabastecimento de chá instantâneo importado no Gabinete do Prefeito.
Sim, leu certo. Em um ato de desespero administrativo (ou de refinado deboche), a gestão Eduardo Siqueira desembolsou a módica quantia de R$ 23.546,86 para garantir 464 unidades do requintado chá instantâneo Krüger, da Alemanha. O pregão eletrônico foi acionado, a papelada foi assinada, e agora os estoques estão abarrotados de chá preto com limão (R$ 7 mil), com maçã (R$ 6,7 mil) e o sofisticadíssimo sabor frutas silvestres (R$ 9,6 mil). Tudo para que o alto escalão possa deliberar, com o paladar adequadamente estimulado, sobre o futuro de uma cidade que literalmente desmorona sob seus pés.
E onde está o prefeito nesse cenário de terra arrasada? Sumido. Sua presença é mais rara que asfalto novo. A agenda prioritária de Siqueira parece ter apenas um item: promover a todo vapor a pré-candidatura de Dorinha ao governo, numa campanha antecipada e alheia que consome tempo, recursos e a já combalida atenção que a cidade merecia. Curioso: o prefeito parece mais empenhado no projeto de poder de outrem do que no seu próprio dever de casa. Palmas pode estar com a entrada principal sendo uma vergonha nacional, recebendo visitantes com um tapete de buracos e descaso, mas o marketing político da aliada está em dia.
É a síntese perfeita da gestão: a cidade largada às traças, o prefeito às campanhas alheias, e o gabinete às xícaras. Enquanto você desvia de crateras na via pública, o maior desvio de função acontece na Prefeitura: transformar a máquina administrativa em cabide de uma campanha que não é sua e o dinheiro do contribuinte em estoque de gourmetização da sede do poder.
Visitantes chegam e se espantam com o estado de abandono. Moradores se perguntam se ainda têm um prefeito. Mas o Gabinete, ah, o Gabinete navega em águas tranquilas e saborosas. O chá alemão está garantido, geladinho ou quentinho, para adoçar a boca antes de soltar mais um "estamos trabalhando" ou de emprestar mais um pedaço da cidade em frangalhos à propaganda de Dorinha.
A pergunta que ecoa das ruas esburacadas aos bairros esquecidos não é mais apenas sobre os R$ 23 mil em chá. É mais profunda e cínica: O que vale mais para Eduardo Siqueira? O sabor das frutas silvestres alemãs no seu gabinete ou o futuro sombrio de Palmas, cidade que ele trocou pela pré-campanha de Dorinha?
A conta do chá chegou. E a cidade está pagando por ela e pelo desvio de foco do seu prefeito – muito mais caro.












Comentários